Este blog apoia a Associação Portuguesa de Deficientes
Rio Antuã: Um rio polémico

Rio Antuã

Blog inteiramente dedicado à bacia hidrográfica do Rio Antuã, à promoção e divulgação das suas riquezas naturais e culturais e à sua defesa.

sexta-feira, setembro 08, 2006

Um rio polémico

O rio Antuã nasce nas imediações de Romariz (Santa Maria da Feira) e desagua a SW de Estarreja, na Ria de Aveiro, depois de banhar São João da Madeira, Oliveira de Azeméis e Estarreja.

Se o termo central da afirmação anterior (desagua a SW de Estarreja, na Ria de Aveiro) não levanta qualquer celeuma, já o seu percurso a montante é polémico. Na área da freguesia de Ul dá-se a confluência de dois cursos de água: um proveniente do Norte, seguindo a direcção que o rio manterá para jusante; o outro proveniente de Nordeste. Ambos os cursos de água têm um caudal e uma dimensão relativamente próximas, e esta, parece-me, é a verdadeira causa da celeuma. Afinal, trata-se de decidir: qual dos dois braços (chamemos-lhes assim) é o afluente? O que provém de S. João da Madeira, do Norte, ou o que banha Carregosa, a Nordeste? Da resposta a esta questão dependerá o direito à designação "Antuã". Nos levantamentos realizados pela Direcção-Geral dos Recursos Hidráulicos e nas Cartas do Instituto Geográfico do Exército, bem como pela observação a olho nú de qualquer carta, parece claro que o braço N é o rio principal, logo, o Antuã. É assim que este braço é designado, de resto, por grande parte (senão a generalidade) da população que banha. Por outro lado, entre as populações de Carregosa e de Fajões, o Rio Ínsua (como é oficialmente designado o braço NE) é também conhecido por Antuã. Esta é a tese que defendem aqueles para quem o braço N se chama, afinal, "Rio Ul". Este "lobbie", apoiado, supostamente, em documentos históricos (mas sabemos como são, tantas vezes, frágeis este tipo de argumentações), já conseguiu uma vitória junto da Câmara Municipal de S. João da Madeira, a qual decretou, recentemente, a mudança do nome do seu rio de "Antuã" para "Ul". Se esta decisão e o "lobbie" que a apoiou são questionáveis, é inegável a frequência como que este braço é referido como "Ul" e o braço NE como "Antuã".
Em que ficamos? O autor destas linhas tende para a versão oficial (rio Antuã a Norte, banhando S. João da Madeira) mas não despreza outras versões. Assim, propõe uma solução "à moda do Nilo": várias nascentes para o mesmo rio, pelo que as designações dos dois braços poderiam ser algo como: "Antuã (Ul)" para o braço N e "Antuã (Ínsua)" para o braço NE. Afinal, esta seria, provavelmente, a solução que melhor faria justiça quer aos documentos históricos, quer aos trabalhos hidro-cartográficos, quer às tradições orais.
Em todo o caso, este blog é dedicado á bacia hidrográfica do Rio Antuã, incluindo, pois, quer o braço principal (caso exista e seja ele qual for), quer os seus afluentes, com as suas respectivas belezas.

10 Comments:

At 10:51 da tarde, Blogger kimikkal said...

post interessante, começou bem o blog...agora há que alimentá-lo!

 
At 10:22 da manhã, Blogger Denudado said...

Linhadovouga, antes de mais, agradeço a visita virtual que me fez. Desejo-lhe o maior êxito para o seu novo blog, dedicado a uma região que é muito rica em belezas naturais, em tradições populares e em património construído.

Está visto que a questão Antuã/Ul é confusa. Bem fizeram os transmontanos em chamarem Rio Tua apenas à parte que fica para jusante da confluência entre o Tuela e o Rabaçal. Assim, não há lugar para dúvidas nem confusões. Em vez de discutirem qual é o rio principal e qual é o rio afluente, eles afirmam que o Tua é o resultado da união das águas do Tuela e do Rabaçal, a montante de Mirandela. Dois rios juntam-se e dão origem a um terceiro. Nada mais simples.

 
At 1:19 da tarde, Anonymous Lilicanetas said...

um bom blog. votos de muitos posts... para espevitar a discussão.

 
At 10:08 da manhã, Anonymous GR said...

Muito esclarecedor!
Fico à espera de mais posts.

GR

 
At 1:01 da manhã, Anonymous Barbas Junior said...

Fosse o problema destes cursos de água os nomes e não a poluição.
Vou centrar o o meu comentário no rio Insua que era uma das boas coisas que o concelho se podia orgulhar ambientalmente, e que foi desprezado até à hora da sua morte.
Antes de haver ÚL e os lobbies associados à freguesia, o rio ÍNSUA que é o principal afluente do rio Antuã, já passou por muitas freguesias antes de ali chegar. Nos antigamentes recentes, falo do inicio da década de noventa, na estrada nacional que liga S. João da MAdeira a Vale de Cambra havia uma ponte de pedra que atravessava este rio na freguesia de Carregosa ( um pouco acima da Pedra Má) e que tinha um velha tabuleta ferrugenta da JAE que o identificava o rio como INSÚA. O dito rio ÚL é uma ficção, um delírio ou simplesmente ignorância. Acho mesmo que esta polémica não passa de um lobbie saloio tipo "Molde e Pão de Úl", caragos pá! Úl tem tudo!E não têm um Rio?
A captação de água das Fuzeiras, é feita no rio Ínsua, que por acaso tb passa a ÚL e é o mesmo curso de água denominado Úl.
Isto não é uma estória Histórica! é a pura verdade.
Vide http://e-geo.ineti.pt/edicoes_online/obras/costa_almeida/tp060.pdf

O que interessa é que a ultima vez que peguei na minha cana de pesca desci a encosta da mata do Covo para ir matar saudades de pescar e ver se tinha sorte de pescar meia duzia de trutinhas palmeiras ou quem sabe um pouco maiores, já que as haviam lá. O meu recorde neste rio foram 19 trutas na maioria palmeiras mas algumas maiores, a maior de todas nesse dia mediu quase 40cm! Isto foi num manhã a subir o rio desde a antiga ponte de madeira na Quinta do Covô até à ponde de Pinhão/Pindelo. Na abertura da época de 1992 tinha eu 16 anos. Mas não se enganem, não haviam trutas neste rio à muitos anos atrás, depois disso estive lá em 2002 e tirei umas trutitas e vi muitas outras. Pior fui mesmo desta vez que me lembrei de ir descontrair um pouco a pescar e a caminhar pelas margens do rio. Apanhei tal choque que fiquei meio abananado! Primeiro devido abandono completo a que estão deixadas as margens do rio, mas isso ainda é ao menos, segundo o pior de td a poluição, o rio estava morto não tinha vida! Estranhei o fundo do rio parecia morto, as pedras do fundo estavam cobertas por uma fina camada verde, fui seguindo rio acima dentro do rio com as perneiras e quanto mais subia mais triste ficava parecia que o rio tinha morrido, as minhas piores suspeitas confirmavam-se o rio estava morto, não havia vida piscicola! Não se via um escalo, uma boga, um bordalo e muito menos uma truta fosse minuscula ou grande a fugir como uma flecha para o esconderigio mais perto! Não quis a creditar e continuei rio acima a ver se não estaria com efeitos dos vapores da noite mal dormidaq, infelizmente não estava. O rio estava mesmo morto!
Mas atenção este rio é um rio especial, e pode ressuscitar! E não precisa da ajuda do Sr. Padre Albino. Basta unicamente detectar donde veio a enorme descarga que devastou o rio. O que não parece dificil, segundo más linguas, a descarga foi proveniente de uma industria com muita "Pinta" localizada em Carregosa. Se foi ou não, não existem certezas, existem todavia certezas que o rio estava repleto de vida, quando apareceram milhares de peixes mortos, entre eles incontáveis trutas de todos os tamanhos,novinhas do tamanho de um dedo e outras velhas do tamanho de canhotas dignas de uma lareira rica onde o rio Úl passa!

 
At 12:55 da manhã, Anonymous Anónimo said...

Just want to say what a great blog you got here!
I've been around for quite a lot of time, but finally decided to show my appreciation of your work!

Thumbs up, and keep it going!

Cheers
Christian, iwspo.net

 
At 3:50 da tarde, Blogger JCortez said...

Antuã / Ul
Não basta a tradição para deitar o nome a um rio. Na realidade as populações de S. João da Madeira e Oliveira de Azeméis não lhe chamaram Antuã no passado mais longíquo. Daí haver Santiago de Ribaúl e não haver "Santiago de Riba-Antuâ".
As regras internacionais estabelecem que quando dois rios se juntam o nome que permanece é a do rio mais longo desde a nascente até à confluência. Seguindo esta regra, observando o rio que passa em Estarreja e seus afluentes estou convencido que o rio que passa naqule concelho é o mesmo que passa em S. João da Madeira. Não discuto o nome do rio que passa em S. João da Madeira, as autoridades da hidraulica dizem que é Antuã mas a Câmara presidida pelo Dr. Castro Almeida, que não tem competência para atribuír nomes a rios, chama-lhe Ul.
Para mim parece ser claro que se chamarmos Ul em S. João da Madeira teremos que chamar Ul em Estarreja e se chamarmos Antuã em Estarreja teremos que chamar Antuã em S. João da Madeira.

 
At 8:44 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Santiago de Riba Ul , e uma freguesia muito antiga e deve o seu nome ao rio. A freguesia teve os primeiros habitantes no lugar de Vila Cova, que ficava acima (por RIBA) do rio. Nao pode haver duvidas de que este rio se chama UL e que vai encontrar o seu afluente Antua na freguesia de UL

 
At 1:22 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Antuã
Tomando como referente a Igreja matriz de UL, o rio que passa a Nascente da referida Igreja denomina-se Ínsua. O que corre a poente da referida Igreja chama-se Ul.
A dois mil metros a sul da Igreja de Ul, o Ínsua e o rio UL confluem no lugar/ponte dos Dois Rios, dando origem a UM NOVO CURSO de água denominado ANTUÃ, nome que vai buscar a antigo topónimo do concelho de Estarreja.
A revista Arquivo do Distrito de Aveiro, tem longa polémica (que não resolve) sobre o assunto, contribuindo para a atual confusão. Com apoio nesta revista, a antiga JAE denominou, na ponte do Cavalar, em Ul, o rio com a designação de Antuã, enraizando nas populações o nome. As Cartas militares usam também a designação de Antuã.
Estão então os condimentos científicos, de autoridade e de tradição, para subtraírem a Ul, o seu rio, Ul.
O mesmo não se faz em São João da Madeira que denomina (desde tempos imemoriais) de Ul o curso de água que o atravessa.
De forma alguma Santiago de Riba-Ul aceita ser de Riba Antuã!
A resolução do problema é do âmbito da Geografia de campo: percorrer o curso de água da nascente em Romariz e ver a sua junção com o Ínsua, no Lugar Dos dois Rios. Aceitar que depois da junção temos um novo curso/rio o ANTUÃ.
Simples mas cansa.

 
At 3:56 da tarde, Anonymous Anónimo said...

DE: Barbas Sénior
Estou totalmente de acordo com o Barbas Júnior, quando diz "Fosse o problema destes cursos de água os nomes e não a poluição". Mas vamos à questão em discussão, e procurar pontos, que nos levem a um consenso. Relativamente ao hidrónimo INSUA, é verídica a sua afirmação, da existência duma placa posta pela JAE, e já retirada há alguns anitos, no parapeito da ponte do lugar de Insua, onde constava, Rio Insua. Mas já na Sª da Ribeira, Fajões, naquela época, era conhecido por esse nome, atesta-o, ou melhor atestava-o, a placa no parapeito da ponte, hoje com a indicação Antuã, naquilo que foi, uma "correcção por cima", e que se pode constatar a olho nú. No entanto a denominação Insua era consensual de Pindelo para montante. Para jusante tínhamos o chamado Rio do Covo, de Pinhão até Vilar aprox., daqui para baixo tínhamos o Antuã, sendo que o monumento, Senhor da Ponte, em Macinhata da Seixa, estava edificado sobre este. Porque já vai longa esta minha prosa, vou deixa-la por aqui, espero ter contribuído um pouquinho, para a solução, do tema. Teria mais para esclarecer mas, mesmo através de fotos, daquele tempo e de hoje, mas fica para uma próxima oportunidade, se tal se proporcionar.

 

Enviar um comentário

<< Home